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8 de outubro de 2016

Ser feminista é uma questão de porcentagem?

Karol Conka lançou a música 100% feminista com a MC Carol. 


E fiquei me indagando algumas questões  [não são certezas (in)certezas nem críticas ao trabalho delas. Nem tenho a pretensão de fazer uma análise sociológica da música]. São apenas alguns questionamentos que me vieram à mente enquanto ouvia a música.

1ª questão 

  Há como quantificar o quanto uma pessoa é feminista? E se isso fosse possível, ser 100% feminista seria o oposto de ser 100% machista? As desconstruções sociais procuram não são binárias, porém a canção apresenta alguns versos de um posicionamento binário: Eu que mando nessa porra diz a voz feminina (ou masculina da canção ). Estamos tão cansados de ouvir homens dizendo que são os donos do pedaço e, mesmo vindo de uma voz feminina na música, a afirmação é de homem mandão, homem machista. Assim como a glamourização da violência.

O nome do álbum de Karol Conka é Bandida. Para alguém que quer ser diferente não está sendo muito igual não? A pior coisa dos extremismos é ser igual. Bandido vem do italiano bandito, “banido, afastado do convívio dos outros”, de bandire, “proscrever, banir”. Será que seria nesse sentido etimológico que o adjetivo “bandida” é usado pela Karol? De pra ser ouvida o grito tem que ser potente? 

2ª questão 
Essa ideia de representação.

Questionamos tanto a massificação das invidualidades pela sociedade.A representação não seria aniquiladora das individualidades não? Quando uma pessoa passa a representar por mim, eu deixo de ter voz: pois, não existe apenas uma maneira de ser negro, nem de ser gay, nem de ser mulher.

Represento as mulheres, 100% feminista

3ª questão 
ou melhor um elogio: as mulheres citadas são exemplos de mulheres negras contraditórias como todo ser humano;
Aqualtune – princesa do reino de Congo escravizada no século XVII

Carolina – acho que é uma referência a escritora Carolina Maria de Jesus

Dandara – esposa de Zumbi dos Palmares

Xica da Silva – mulher negra que viveu no século XVIII noArraial do Tijuco, atual Diamantina.

Nina – seria Nina Simone? A maravilhosa Nina Simone

Elza – Elza Soares – a mulher do fim do mundo - Este álbum é incrivelmente maravilhoso.

Dona Celestina -alguém pode me falar um pouco sobre Dona Celestina



Frida –a maravilhosa pintora mexicana (exceção entre as mulheres negras citadas)

Engraçado ou não enquanto pensava sobre algumas dessas mulheres citadas por Karol Conka a referência que me vinha à mente sempre que me vinha a mente era o nome do o homem. Dandara, a esposa de Zumbi. Frida, a mulher de Diego Rivera. Elza, a ex-mulher de Garrincha. Xica da Silva, a amante de João Fernandes. Essa submissão ao nome do homem que parece tão inocente e natural. Isso sim, me preocupou! O quanto nesse meu modo de referenciar às mulheres fosse o homem. 
A cada um preocupa alguma coisa:
A uns a louça pra lavar.
A outros a louça deixada de lavar.
A uns o orgulho de ter o sobrenome do marido.
A outros a vergonha a não ter sobrenome nenhum.
O bonito do mundo é a multiplicidade no modo de ser. Isso é mais importante que usar um adjetivo que pode ser tão improdutivo quanto aquilo que criticamos. Ou não estaria confuso sobre o que é ser feminista ou não:

Tentam nos confundir, distorcem tudo o que eu sei.



24 de setembro de 2016

Saias são apenas para meninas?


Esta semana o colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, voltou a ser assunto de jornais por causa de uma portaria relacionada a política de igualdade de gênero (já adotou o uso do nome social e o uso da letra “x” em palavras com distinção de sexo). Neste momento é a liberação do uso das saias (saias plissadas - chamadas de ‘saias seis machos de tergal’) para todos os estudantes que sentir vontade de usá-las e não passarem por situações de constrangimento dentro da escola. Mesmo que algumas pessoas, por ideologia e princípios, não concordem com as identidades: transexuais, travestis e gays. Nós existimos. E como cidadãos, estamos cada dia mais conscientes de nossa cidadania se conquista através de práticas de visibilidade. De tomada de atitudes! O universo das diversidades é um universo: há inúmeras maneiras de ser gay, transexual, lésbica e travesti quanto de ser homem e de ser mulher. Não há apenas um jeito de ser homem e nem um jeito de ser mulher.     


A escola é, ou deveria ser, um espaço de discussão permanente sobre a sociedade. Porém, muitas e muitas escolas são apenas depósito de tempo e manutenção de adolescentes para que os pais possam trabalhar o dia todo ou para ficar livres de seus filhos. E quando algumas instituições (infelizmente, é muito pequeno o número de escolas que refletem sobre as práticas sociais como prática pedagógica) fazem do cotidiano momento de reflexão: é um deus nos acuda! Os pais saem do trabalho mais cedo, deixam de fazer tudo para ir questionar o que as escolas estão fazendo de seus indefesos filhos. (quantos mitos existem em relação a tudo neste mundo)

Todo mundo quer dar palpite: inclusive eu.

Sou muito crítico ao uso obrigatório de uniformes (uniformizar, para mim, é uma maneira disfarçada de impedir as manifestações individuais. Muitos dirão: mas têm alunos que não têm dinheiro para comprar um uniforme. Mais um motivo para deixar que usem a roupa que já têm. Ou, liberar o uniforme permitiria o uso “sem noção” de  muitos adolescentes de usar roupas ultrapowerhipermega curta). A escola não é um lugar sagrado, não é uma igreja. É um espaço de convivência e de aprender a conviver com o diferente e não existe ensaio para a convivência na vida. 

E como um simples pedaço de pano ao redor da cintura causa tanto tumulto. Não é apenas um tecido, né? E o que é uma saia? 

Estes momentos são excelentes para que a gente possa visualizar o quanto a vestimenta está em constantes disputas ideológicas.

As saias foram usadas, primeiramente, pelos homens! Sim


A permissão do colégio Pedro II está de parabéns ao evitar que pessoas trans ou qualquer outra pessoa (a roupa não está colada ao sexo) enfrente constrangimentos e violências psicológicas desnecessárias. As minorias não está querendo inventar a roda, nem querem acabar com o homem e a mulher (podem ficar despreocupados) mas ampliar os hábitos, as vestimentas, o modo de ser, a identidade para além de uma dicotomia simplista.

19 de setembro de 2016

Amar se aprende amando!


Dizem que uma imagem pode valer mais que mil palavras. E, às vezes, por mais que a gente tente conversar, explicar, analisar, nada parece ser o mínimo necessário para um diálogo que já começa com uma certeza absoluta por uma das pessoas ou por ambas. E tudo que ousarmos falar, argumentar não valerá de nada. Mas é por não ter nada pra dizer eu digo: ser gay não é ser oposto à família. Pode até existir alguns gays e lésbicas sedentos por destruir a instituição familiar, como muitos pensam, mas isso não é regra. Tanto que quem convive com algum gay sabe que sofrem por não serem vistos como parte da família, por não receberem afeto, carinho, por terem que ouvir falas como “prefiro um filho bandido a um filho gay”. Como podemos comparar ser gay a criminalidade? A História pode nos explicar essa associação absurda, mas não é o foco daqui. Assim como não é regra que todas as famílias sejam compostas por um pai, uma mãe e filhos. A maioria das famílias é composta por apenas pai, ou mãe, ou nem um dos dois. E aí? Quem é criado apenas pela mãe, ou apenas pelo pai, ou apenas pelas avós, ou por um tio ou uma tia não são família? Não são dignos de amar e se amados: infelizmente, associar gays à promiscuidade é igual associar à mulher a maldade, o castigo por tudo de ruim de acontece ao mundo. E nos esquecemos de olhar o ser humano único e especial que cada um é. É melhor colocar tudo no mesmo balaio, né? Também, não é meu próprio aqui discutir teologia. Mas indagar: que Deus escolheria a morte ao invés da vida? Deus disse que nem uma ovelha a menos e nem deveríamos atirar pedras, pois nosso teto é de vidro. E uma certeza absoluta eu tenho: quem mais atira pedra é quem mais telhado de vidro tem, ou melhor, nem telhado tem mais, nem mais cuidado consigo tem. Quer apenas MARCHAR sobre os irmãos e irmãs. Para que essas marchas que se dizem preocupar com a defesa da família? Não seria melhor cuidar da sua família? Mas é difícil, né? Quase impossível para muitos! Então, é melhor ficar falando por aí que são os gays que destroem as famílias, que eles são imorais e obscenos, talvez alguns sejam, não podemos medir todo ser humano por um. Cuidar dos próprios filhos dói, dói deixar de fazer algo para o filho, dói chegar à noite em casa exausto e ver se o material escolar do filho está completo, dói xingar e exigir respeito aos filhos. É mais confortável marchar pelas ruas que ficar em casa dando carinho, dialogando, enxergando os nossos limites. Uma criança de 12 anos pode ser muito mais sensata que homens e mulheres que não se pensam, não pensam suas atitudes.  César, este mexicano que poderia ser um brasileiro, um paraguaio, um americano, pois, esse fenômeno das marchas acontece em quase todos os lugares, ousou se colocar de frente à marcha não para defender “pouca vergonha” ou safadeza, mas porque tem um tio gay. Alguém que ele ama e por amar sabe que não é odiando, marchando, falando que se pode amar alguém. Como nos cantou Carlos Drummond de Andrade: amar se aprender amando. O amor não é uma exclusividade apenas entre homens e mulheres. Deveria ser exclusivo é o respeito entre os homens e isso falta a tantos. 

P.S.: Ouça a música Coisas da Vida, de Rita Lee




15 de setembro de 2016

Encantado.


“A arte é a reinvenção da realidade”

O poeta Ferreira Gullar já tinha alertado que a realidade não basta, a lógica da realidade é, totalmente ilógica. não nos possibilita modificar certas situações: a chegada ao ponto de ônibus 2 segundos após ele partir, a conversa descompromissada reveladora de segredos com um desconhecido durante um passeio pelo mercado e a morte: a mais nonsense parte da vida. Hoje vivemos, dormimos até tarde, aguentamos os vizinhos, fofocamos nas janelas. Amanhã já não existiremos, já dormiremos eternamente e teremos saudades até de nossos vizinhos que não mais estarão por aqui. A arte é uma maneira de a gente fazer perpetuar o que já não terá continuidade: a presença. E o mais terrível, às vezes, é o ensaio que a arte pode ser da morte. Ontem, dia 15 de setembro de 2016, que era hoje. Durante nossos afazeres recebemos a notícia que o "Santo" tinha sumido no Rio São Francisco. Domingos Montagner com Camila Pitanga foi nadar após o almoço. O que era para ser apenas mais uma atividade cotidiana banal se tornou uma tragédia. E uma tragédia ensaiada durante a novela Velho Chico, há uns quinze dias o personagem Santo (Domingos Montagner) sofreu um atentado e ficou desaparecido por dias sob as águas do Chico. Até que os índios acharam o corpo de Santo dos Anjos e realizaram o ritual para ressuscitá-lo: todas as religiões realizam rituais para perpetuar a vida sobre a morte. E durante o sumiço dele nas águas a arte e a vida nos confundiam de forma absurda, tão absurda que nos negamos a acreditar na repetição da arte na vida. Na repetição da tragédia na realidade, sem chance de ter o final que teve na novela. As mãos de Camila Pitanga não conseguiram impedir a violência da tragédia, as imagens belas de Luiz Fernando Carvalho não conseguiram transformar em consolo o horror, o texto profundo e reflexivo de Benedito Ruy Barbosa não conseguiu tornar o incompreensível em compreensível. Apenas a tragédia, o silêncio da realidade sem beleza. O que nos consola é a arte, as atuações encantadoras de Domingos.
Como diria Guimarães Rosa:

“As pessoas não morrem. Ficam encantadas”.

13 de setembro de 2016

Amor às (In)certezas!

Todo mundo tem algumas certezas: o meu amigo é especial, minha escola é a melhor, minha roupa é a mais fashion, minhas músicas são excelentes (deve ser por isso que tanta gente escuta música no talo. São tão maravilhosas que todo mundo tem que ouvir comigo), minhas opiniões são as corretas. Ao final do dia chegamos à conclusão de estarmos tão certos que somos os injustiçados, os perseguidos. De tantas certezas que insistimos carregar. Eu tenho minhas certezas também: sou Jonas. Tenho 28 anos e alguns meses. Amo ler e estar com um livro nas mãos, como Clarice Lispector quando conseguiu emprestado o livro Reinações de Narizinho.

“Sei que segurava o livro grosso com as 

duas mãos, comprimindo-o contra o peito.”

Amo ficar ouvindo música, não imagino minha vida sem música. Não entendo nada de moda. Tô tentando aprender aqui no Men`s Fashion Troupe. Amo fingir que entendo de horóscopos: Sou libriano, dizem que meu ascendente é touro (Sei lá o que isso significa). Deve ser por isso que sou tão empacado em não ser sério demais, nem superficial demais. Amo dormir e sempre acho que estou dormindo menos que meu serumaninho precisaria. Amo novelas: sou noveleiro assumido e sei quando começou e terminou cada novela (Depois que confiro no Google, é lógico). E amo usar parenteses( )

Toda semana, dividirei alguma (in)certeza aqui com vocês.

Beijos

20 de maio de 2015

Livro de colorir para os fashionistas!




Gente, após o sucesso do "Jardim Secreto", chegou a nossa vez, olha a novidade para os fashionistas de plantão!!!
Livros de moda para colorir! (É MUITO AMOR) Já pensou... vc pintando um Valentino, Dior, Chanel, um luxo não!? As ilustrações vem separadas pela moda de cada década. That's all!!!

O preço é bem acessível, R$ 38,00! Mas em tempos de crise, poderia ser mais baratinho. Enjoy!

9 de abril de 2015

#MinasTrendPreview - Primeiro dia de desfiles!



Olá Fashionistas, sou Lucas Utee e a partir de hoje faço parte do time de colunistas do Acordei Fashionista! Vou escrever sobre semanas de moda, fashion weeks de todo o mundo, e sobre esse mundo fantástico das passarelas!

Vou começar com um breve comentário sobre o primeiro dia de desfiles do Minas Trend Preview! O evento está apresentando suas apostas para o Verão 2016, bom o que esperar da estação? As propostas apresentadas nas passarelas são cores fortes como laranja, verde folha, amarelo... peças bem coloridas, que são tudo haver com o verão brasileiro, muito branco também, o preto aparece mais sutil... franjas, peças fluídas, shorts, calças mais curtas, sandálias bem altas, mas também belíssimos flats, enfim peças bem confortáveis!

Look bordado no desfile de abertura. (foto: reprodução)
Franjas e sandálias de amarração no desfile de abertura (Foto: reprodução)
Fila final do desfile da Faven (Foto: reprodução)
Franjas e muito movimento no vestido Faven (Foto: reprodução)

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